10 de ago de 2011

O mundo está preparado para atender os idosos?

O mundo está preparado para atender os idosos O mundo está preparado para atender os idosos?


É muito bom viver num país cujo contingente de idosos aumenta sensivelmente. Porém, com isso, a seguinte pergunta sempre se faz pertinente: “O mundo está preparado para atender aos idosos?”
Geralmente a resposta a este questionamento é feita pensando-se apenas em aspectos referentes à saúde e à previdência social. São duas esferas essenciais para a população que envelhece, porém, como já falei em outros artigos, a população idosa, assim como aquela de outras faixas etárias, possui outras necessidades. Idosos precisam de oportunidades na área da educação, de acessibilidade, de cultura, de lazer, dentre outras.
Numa viagem recente ao Rio de Janeiro, fui com uma tia, já idosa, almoçar num restaurante em Copacabana. Ela se orgulhava em afirmar que este é o bairro com maior concentração de idosos no Brasil, apontando mesas onde senhoras alegres se divertiam, ou uma mesa onde uma senhora, dependente, almoçava com o auxílio de sua cuidadora, na companhia de outras senhoras. Interessante que o pianista que alegrava o local também já se mostrava bastante idoso e estava ali, trabalhando, tocando músicas que agradavam principalmente àqueles mais idosos. Neste contexto de domingo feliz, me coloquei a pensar: será que os setores de atendimento, de maneira geral, estão preparados para atender à população idosa?
As atendentes do restaurante se mostraram muito capacitadas para lidar com seus clientes idosos: atendiam com delicadeza, falavam num tom mais alto para serem compreendidas pelos clientes com dificuldades de audição e carregavam as bandejas daqueles que estavam de bengala. São pequenas atitudes como estas que fazem um grande diferencial no atendimento de idosos, muitos dos quais são sozinhos e realmente precisam ser atendidos em suas necessidades específicas.
Os responsáveis pelos setores de atendimento em geral e comerciários precisam se preocupar em fornecer um tipo de treinamento para seus funcionários: funcionários do comércio, bancários, operadores de telemarketing, operadores de caixa registradora, funcionários de repartições públicas e outros profissionais, independente de trabalharem em locais destinados exclusivamente para a população idosa sabem que um dia irão lidar com este público-alvo.
Primeiramente, é importante que a pessoa que irá lidar diretamente com o idoso se dispa de qualquerpreconceito referente ao processo e envelhecimento: que não generalize que todos os idosos são ranzinzas, “caducos”, doentes ou pessoas difíceis de lidar. Isto já é um grande princípio. Também é essencial compreender que algumas condições associadas ao envelhecimento podem acarretar-lhes problemas e limitações, tanto do ponto de vista fisiológico, quanto cognitivo, quanto psicossocial e, devido a estas condições, eles irão requerer um tipo de atenção especial. Às vezes ter um pouco mais de paciência e respeitar o tempo do idoso, já que alguns são mais lentos para executar determinadas tarefas, já é suficiente.
Por outro lado, o profissional que irá lidar com idosos deve se lembrar que alguns não necessitam de nenhum tipo de ajuda, e tentar auxiliá-los pode ser o suficiente para que se sintam inúteis, dependentes ou mesmo para irritá-los. É imprescindível ter a sensibilidade de entender quando ajudar e como ajudar, para não parecer invasivo, super protetor ou negligente para com o idoso.
Independente de nossa área de atuação, é sempre importante lembrar de que um dia poderemos vir a atender um idoso e devemos estar preparados para isso.

Luciene C. Miranda

Psicóloga 

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Não é o dinheiro, estúpido


Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência

SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC

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