10 de ago de 2011

Colhendo flores entre espinhos


Colhendo flores entre espinhos Colhendo flores entre espinhos

A felicidade, a eterna juventude e a imortalidade estão entre os sonhos mais acalentados pelo ser humano. A procura dos factores genéticos que possam justificar um envelhecimento bem-sucedido é uma das investigações do nosso tempo, mas tem-se revelado inconclusiva.
Para um filósofo ou um teólogo a felicidade não deve ser confundida com momentos fugazes nem com meros sentimentos, só pode ser alcançada por quem está disposto a assumir certos pressupostos. Obviamente que para um cristão não há felicidade sem encontrar Deus, ele é a verdadeira fonte de juventude, é ele que desperta as energias adormecidas, sem prejuízo das esperanças revolucionárias que pomos na biogenética e na biotecnologia. Os autores escrevem sem dar margem a equívocos: “A arte de ser feliz e a arte de manter vivo o vigor da juventude estão intimamente ligadas à arte de cultivar cuidadosamente as sementes da imortalidade”.
É bom ter sempre em conta que o estudo do envelhecimento como processo existencial é relativamente recente, só nas últimas décadas se começaram a dar passos gigantes na gerontologia (voltada para o bem-estar integral das pessoas de idade) e da geriatria (mais preocupada com as doenças. Hoje a gerontologia fala em velhice inicial e em velhice avançada em terceira e quarta idades.
Graças à biogenética, os seres deixaram de ser identificados apenas pelas aparências mas pelo que são na sua interioridade. Mais do que um somatório de funções orgânicas bem ou mal organizadas, o grande desafio de um sénior é saber administrar perdas e ganhos, estamos em permanente evolução e interacção com o meio circundante.
Há mesmo quem diga que não há continuidade dos processos existenciais mas sim sucessivas mudanças. Quem busca novos ganhos mantém-se jovem, rompe menos penosamente com rotinas, recupera mais facilmente de eventuais fases depressivas. A chave do sucesso poderá passar por saber cuidar-se e ser cuidado.
No envelhecimento bem sucedido a pessoa deve estar bem relacionada consigo e saber defrontar o diferente – o envelhecimento é um processo contínuo de transformação do humano como ser único em seu tempo vivido, e esta consideração vale para a relação familiar, para quem se educa para envelhecer, para quem sabe cultivar os seus dons e não ter medo de se olhar ao espelho.
Noutra dimensão, os autores falam do corpo e da corporeidade. Há diferentes maneiras de ver o corpo (higiene, moral, arte, beleza…), a linguagem corporal é um verdadeiro livro aberto, no nosso tempo andamos na busca do corpo perfeito; a corporeidade é uma nova maneira de compreender os seres humanos, de analisar o seu lugar na família, na sociedade, nas suas ligações com o transcendente. Nós reflectimo-nos no espelho social mas o envelhecimento também faz parte de um processo existencial, é uma caminhada. Porque envelhecer significa mudar sem perder a identidade, conhecer o tempo e caminhar com ele, estar no tempo e também contra o tempo, no fundo chegar ao alto da montanha, saber que se subiu degrau a degrau.
A condição de bem viver passar por não ter medo de morrer, em aceitar que a vida se constitui numa aventura, que o ser humano é grande e pequeno; grande, quando se aceita alegremente ser gestor de si mesmo e participante do que se passa nos outros seres à sua volta; pequeno, aceitando, com deslumbramento, contemplar o céu e respeitar a obra do criador, exaltando-a como a obra-prima absoluta. No fundo, o envelhecimento com qualidade é uma associação bem doseada entre o progresso científico e a resposta pessoal à alegria de viver.
Extraído de: http://www.oribatejo.pt/2011/05/colhendo-flores-entre-espinhos/

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Não é o dinheiro, estúpido


Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência

SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC

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