6 de ago de 2011

100 DICAS DE PORTUGUÊS

1 - "Custas só se usa na linguagem jurídica" para designar despesas feitas no processo. Portanto, devemos dizer: "O filho vive à custa do pai". No singular.2 - Não existe a expressão "à medida em que". Ou se usa à medida que correspondente a à proporção que, ou se usa na medida em que equivalente a tendo em vista que.3 - O certo é "a meu ver" e não ao meu ver.4 - "A princípio" significa inicialmente, "antes de mais nada": Ex: A princípio, gostaria de dizer que estou bem. "Em princípio" quer dizer "em tese". Ex: Em princípio, todos concordaram com minha sugestão.5 - "À-toa", (com hífen), é um adjetivo e significa "inútil", "desprezível". Ex: Esse rapaz é um sujeito à-toa. "À toa", (sem hífen), é uma locução adverbial e quer dizer "a esmo", "inutilmente". Ex: Andava à toa na vida.6 - Com a conjunção se, deve-se utilizar acaso, e nunca caso. O certo: "Se acaso vir meu amigo por aí, diga-lhe..." Mas podemos dizer: "Caso o veja por aí...".7 – “Acerca de” quer dizer “a respeito de”. Veja: Falei com ele acerca de um problema matemático. Mas hácerca de é uma expressão em que o verbo haver indica tempo transcorrido, equivalente a faz. Veja: Há cerca de um mês que não a vejo.8 - Não esqueça: alface é substantivo feminino. A Alface está bem verdinha.9 - Além pede sempre o hífen: “além-mar”, “além-fronteiras”, etc.10 - Algures é um advérbio de lugar e quer dizer “em algum lugar”. Já alhures significa “em outro lugar’.11 - Mantenha o timbre fechado do “O” no plural dessas palavras: almoços, bolsos, estojos, esposos, sogros, polvos, etc.12 - O certo é “alto-falante”, e não auto-falante.13 - O certo é “alugam-se casas”, e não aluga-se casas. Mas devemos dizer precisa-se de empregados, trata-se de problemas. Observe a presença da preposição (de) após o verbo. É a dica para não errar.14 - Depois de ditongo, geralmente se emprega X. Veja: afrouxar, encaixe, feixe, baixa, faixa, frouxo, rouxinol, trouxa, peixe, etc.15 - Ancião tem três plurais: anciãos, anciães, anciões.16 - Só use ao invés de para significar ao contráriode, ou seja, com ideia de oposição. Veja: Ela gosta de usar preto ao invés de branco. Ao invés de chorar, ela sorriu. Em vez de quer dizer em lugar de. Não tem necessariamente a idéia de oposição. Veja: Em vez de estudar, ela foi brincar com as colegas. (Estudar não é antônimo de brincar.)17 - Ainda se vê e se ouve muito aterrisar em lugar de aterrissar, com dois S. Escreva sempre com o s dobrado.18 - Não existe preço barato ou preço caro. Só existe preço alto ou baixo. 'O produto, sim, é que pode ser caro ou barato'. Veja: Esse televisor é muito caro. O preço desse televisor é alto.19 - Ainda se vê muito, principalmente na entrada das cidades, a expressão bem vindo (sem hífen) e até benvindo. As duas estão erradas. Deve-se escrever bem-vindo, sempre com hífen.20 - Atenção: nunca empregue hífen depois de bi, tri, tetra, penta, hexa, etc. O nome fica sempre coladinho. O Sport se tornou tetracampeão no ano 2000. O Náutico foi hexacampeão em 1968. O Brasil foi bicampeão em 1962. O INTER-RS é o atual bicampeão da Taça Libertadores.21 - Veja bem: uma revista bimensal é publicada duas vezes ao mês, ou seja, de 15 em 15 dias. A revista bimestral só sai nas bancas de dois em dois meses. Percebeu a diferença?22 - Hoje, tanto se diz boêmia como boemia. Nelson Gonçalves consagrou a segunda, com a tonacidade no mia.23 - Cuidado: Eu caibo dentro daquela caixa. A primeira pessoa do presente do indicativo assim se escreve porque o verbo é irregular.24 - Preste atenção: O senador Luiz Estêvão foi cassado. Mas 'o leão foi caçado' e nunca foi achado. Portanto, cassar (com dois S) quer dizer tornar nulo, sem efeito.25 - Existem palavras que só devem ser empregadas no plural. Veja: os óculos, as núpcias, as olheiras, os parabéns, os pêsames, as primícias, os víveres, os afazeres, os anais, os arredores, os escombros, as fezes, as hemorróidas, etc.26 - Pouca gente tem coragem de usar, mas o plural de caráter é 'caracteres'. Então, Carlos pode ser um bom-caráter, mas os dois irmãos dele são dois maus-caracteres.27 - Cartão de crédito e cartão de visita não pedem hífen. Já cartão-postal exige o “tracinho”.28 - Catequese se escreve com S, mas catequizar é com Z'. Esse português...29 - O exemplo acima foge de uma regrinha que diz o seguinte: os verbos derivados de palavras primitivas grafadas com S formam-se com o acréscimo do sufixo -ar: análise-analisar, pesquisa-pesquisar, aviso-avisar, paralisia-paralisar, etc.30 - Censo é de recenseamento; senso refere-se a juízo. Veja: O censo deste ano deve ser feito com senso crítico.31 - Você não bebe a champanhe – Errado!. Bebe o champanhe. A palavra é, portanto, masculina.32 - Cidadão só tem um plural: cidadãos.33 - Cincoenta não existe. Escreva sempre cinquenta.34 - Ainda tem gente que erra quando vai falar gratuito e dá tonicidade ao i, como de fosse gratuíto. O certo é gratuito, da mesma forma que pronunciamos intuito, circuito, fortuito, etc.NOTA DE REPASSE: E tome fluído no lugar de fluido.35 - E ainda tem gente que teima em dizer rúbrica, em vez de rubrica, com a sílaba bri mais forte que as outras. Escreva e diga sempre rubrica.36 - Ninguém diz eu coloro esse desenho. Dói no ouvido. Portanto, o verbo colorir é defectivo (defeituoso) e não aceita a conjugação da primeira pessoa do singular do presente do indicativo. A mesma coisa é o verbo abolir. Ninguém é doido de dizer eu abulo. Para dar um jeitinho, diga: Eu vou colorir esse desenho. Eu vou abolir esse preconceito.37 - Outro verbo danado é computar. Não podemos conjugar as três primeiras pessoas: eu computo, tu computas, ele computa. A gente vai entender outra coisa, não é mesmo?! Então, para evitar esses palavrões, decidiu-se pela proibição da conjugação nessas pessoas. Mas se conjugam as outras três do plural: computamos, computais, computam.38 - Outra vez atenção: os verbos terminados em -uar fazem a segunda e a terceira pessoa do singular do presente do indicativo e a terceira pessoa do imperativo afirmativo em -e e não em -i. Observe: Eu quero que ele continue assim. Efetue essas contas, por favor. Menino, continue onde estava.39 - A propósito do item anterior, devemos lembrar que os verbos terminados em -uir devem ser escritos naqueles tempos com -i, e não -e. Veja: Ele possui muitos bens. Ela me inclui entre seus amigos de confiança. Isso influi bastante nas minhas decisões. Aquilo não contribui em nada com o progresso.40 - Coser significa costurar. Cozer significa cozinhar.41 - O correto é dizer deputado por São Paulo, senador por Pernambuco, e não deputado de São Paulo e senador de Pernambuco.42 - Descriminar é absolver de crime, inocentar. Discriminar é distinguir, separar. Então dizemos: Alguns políticos querem descriminar o aborto. Não devemos discriminar os pobres.43 - Dia a dia (sem hífen) é uma expressão adverbial que quer dizer todos os dias, dia após dia. Por exemplo: Dia adia minha saudade vai crescendo. Enquanto que dia-a-dia (com hífen) é um substantivo que significa cotidiano e admite o artigo: O dia-a-diadessa gente rica deve ser um tédio.44 - A pronúncia certa é disenteria, e não desinteria.45 - A palavra dó (pena) é masculina. Portanto, “Sentimos um dó daquela moça”. 46 - Nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre no singular', sobretudo quando denota quantidade, distância, peso. Ex: Dez quilos é muito. Dez reais é pouco. Dois gramas é suficiente.47 - Há duas formas de dizer: é proibido entrada, e é proibida a entrada. Observe a presença do artigo “a” na segunda locução.48 - Já se disse muitas vezes, mas vale repetir: televisão em cores, e não a cores.49 - Cuidado: emergir é vir à tona, vir à superfície. Por exemplo: O monstro emergiu do lago. Mas imergir é o contrário: é mergulhar, afundar. Veja o exemplo: O navio imergiu em alto-mar.50 - A confusão é grande, mas se admitem as três grafias: enfarte, enfarto e infarto.51 - Outra dúvida: nunca devemos dizer estadia em lugar de estada. Portanto, a minha estada em São Paulo durou dois dias. Mas a estadia do navio no Porto de Santos só demorou um dia. Portanto, estada para permanência de pessoas, e estadia para permanência de navios ou veículos.52 - E não esqueça: exceção é com Ç, mas excesso é com dois SS.53 - Lembra-se dos verbos defectivos? Lá vai mais um: falir. No presente do indicativo só apresenta a primeira e a segunda pessoa do plural: nós falimos, vós falis. Já pensou em conjugá-lo assim: eu falo, tu fales... Horrível, não?!54 - Todas as expressões adverbiais formadas por palavras repetidas dispensam a crase: 'frente a frente', 'cara a cara', 'gota a gota', 'face a face', etc.55 - Outra vez tome cuidado. Quando for ao supermercado, peça duzentos ou trezentos gramas de presunto, e não duzentas ou trezentas. Quando significa unidade de massa, grama é substantivo masculino. Se for a relva, aí sim, é feminino: Não pise na grama; A grama está bem crescida.56 - É frequente se ouvir no rádio ou na TV os entrevistados dizerem: Há muitos anos atrás... Talvez nem saibam que estão construindo uma frase redundante. Afinal, há já dá idéia de passado. Ou se diz simplesmente há muito anos... ou muitos anos atrás... Escolha. Mas não junte o há com atrás.57 - Cuidado nessa arapuca do português: as palavras paroxítonas terminadas em -N recebem acento gráfico, mas as terminadas em -NS não recebem: hífen, hifens; pólen, polens.58 - Atenção: Ele interveio na discórdia; e não, interviu. Afinal, o verbo é intervir, derivado de vir.59 - Item não leva acento. Nem seu plural itens.60 - O certo é a libido, feminino. Devo dizer: Minha libido hoje não tá legal.61 - Todo mundo gosta de dizer magérrima, magríssima, mas o superlativo de magro é macérrimo. (Atualmente, já se admitem as duas formas anteriores, na fala e/ou escrita coloquial.)62 - Antes de particípios, não devemos usar melhor nem pior. Portanto, devemos dizer: os alunos mais bem preparados são os do 2º grau. E nunca: os alunos melhor preparados...63 - Essa história de mal com l, e mau com u, até já cansou. É só decorar: Mal é antônimo de bem, e mau é antônimo de bom. É só substituir uma palavra por outra nas frases para tirar a dúvida.64 - Pronuncie máximo, como se houvesse dois SS no lugar do X (mássimo).65 - Toda vez que disser: É meio-dia e meio, você estará errando. O certo é: meio-dia e meia, ou seja, meio-dia e meia hora. 66 – Correto: Não tenho nada a ver com isso. Errado: Não tenho nada haver com isso.67 – A expressão nem um nem outro leva o verbo para o singular: Nem um nem outro conseguiu cumprir o que prometeu.68 - Toda vez que usar o verbo gostar, tenha cuidado com a ligação que ele tem com a preposição de. Ex: a coisa de que mais gosto é passear no parque. A pessoa de que mais gosto é minha mãe.69 - Lembre-se: o verbo para, não leva mais acento diferencial pela nova ortografia para se diferenciar de para – preposição. Portanto: Ele não para de repetir para o amigo que deu um carro novo para a esposa. 70 – Da mesma forma, as outras palavras que possuem as grafias iguais: pelo - preposição (contração da preposição por com o artigo a) e pelo - cabelo.71 - Pera, a fruta, não leva também mais o acento para se diferenciar da antiga preposição também chamada pera. O plural também dispensa o acento: peras (frutas)/ peras (preposição). 72 - Ainda tem mais uma palavra que não leva acento diferencial: o verbo pode, terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo poder. Antes da nova ortografia, levava acento circunflexo para se diferenciar de pode, a forma do presente. Então dizemos agora: Ele até que pode fazer tudoaquilo, mas hoje não pode mais. Ficou estranho, né?! Mas é assim mesmo...73 - Por – verbo – também não leva mais acento para se diferenciar da preposição por: Quero por tudo no seu devido lugar. Por qualquer coisa, ele se contenta.74 - Fique atento: nunca diga, nem escreva 1 de abril, 1 de maio. Mas sempre: 'primeiro de abril', 'primeiro de maio'. Prevalece o ordinal.75 - É chato, pedante ou parece ser errado dizer quando eu vir Maria, darei o recado a ela. Mas esse é o emprego correto do verbo ver no futuro do subjuntivo. Se eu o vir, quando eu o vir. Mas, quando é o verbo vir (oposto de ir) que está na jogada, a coisa muda: quando eu vier, se eu vier.76 - Só use quantia para somas em dinheiro. Para o resto, pode usar quantidade. Veja: Recebi a quantia de 20 mil reais. Era grande a quantidade de animais no meio da pista.77 - O prefixo recém sempre se separa por hífen da palavra seguinte, e deve ser pronunciado como oxítona: recém-chegado de Londres.78 - Não esqueça: retificar é corrigir, e ratificar é comprovar,reafirmar: "Eu ratifico o que disse e retifico meus erros.79 - Quando disser ruim, diga como se a sílaba mais forte fosse -im. Não tem cabimento outra pronúncia.80 - Fique atento: só empregamos São antes de nomes que começam por consoante: São Mateus, São João, São Tomé, etc. Se o nome começa por vogal ou h, empregamos Santo: Santo Antônio, Santo Henrique, etc.81 - E lembre-se: seção, com Ç, quer dizer parte de um todo, departamento: a seção eleitoral, a seção de esportes. Já sessão, com dois SS', significa intervalo de tempo que dura uma reunião, uma assembléia, um acontecimento qualquer: A sessão do cinema demorou muito tempo. 82 - Não confunda: senão, (juntinho), quer dizer "caso contrário" e se não, (separado), equivale a "se por acaso não". Veja: Chegue cedo, senão eu vou embora. Se não chegar cedo, eu vou embora. Percebeu a diferença?83 - Tire esta dúvida: quando só é adjetivo equivale a sozinho e varia em número, ou seja, pode ir para o plural. Mas só como advérbio, quer dizer somente. Aí não se mexe. Veja: Brigaram e agora vivem sós (sozinhos). Só (somente) um bom diálogo os trará de volta.84 - É comum vermos no rádio e na tv o entrevistado dizer: O que nos falta são subzídios. Quer dizer, fala com a pronúncia do Z. Mas não é: pronuncia-se SS. Portanto, escreva subsídio e pronuncie subssídio.85 - Taxar quer dizer tributar, fixar preço. Tachar é atribuir defeito, acusar.86 - E nunca diga: Eu torço para o Vasco. Quem torce de verdade, torce pelo Vasco.87 - Todo mundo tem dúvida, mas preste atenção: 50% dos estudantes passaram nos testes finais. Somente 1% terá condições de pagar a mensalidade. Acreditamos que 20% do eleitorado se abstenham de votar nas próximas eleições. Mais exemplos: 10% estão aptos a votar, mas 1% deles prefere fugir das urnas. Quer dizer, concorde com o número percetual, mas saiba que essa regra é bastante flexível.88 - Um dos que deixa dúvidas, mas, pela norma culta, devemos pluralizar. Há gramáticos que aceitam o emprego do singular depois dessa expressão: Eu sou um dos que foram admitidos. Sandra é uma das que ouvem rádio.89 - Veado se escreve com E, e não com I.90 - Esse português da gente tem cada uma: tem viagem com G eviajem com J . Tire a dúvida: viagem é o substantivo: A viagem foi boa. Viajem é o verbo: Caso vocês viajem, levem tudo.91 - O prefixo vice sempre se separa por hífen da palavra seguinte: vice-prefeito, vice-governador, vice-reitor, vice-presidente, vice-diretor, etc.92 - Geralmente, se usa o X depois da sílaba inicial En: enxaguar, enxame, enxergar, enxaqueca, enxofre, enxada, enxoval, enxugar, etc. Mas cuidado com as exceções: encher e seus derivados (enchimento, enchente, enchido, preencher, etc) e quando -EN se junta a um radical iniciado por CH: encharcar (de charco), enchumaçar (de chumaço), enchiqueirar (de chiqueiro), etc.93 - Não adianta teimar: chuchu se escreve mesmo é com CH.94 - Ciclo vicioso não existe. O correto é círculo vicioso.95 - E qual a diferença entre achar e encontrar? Use achar para definir aquilo que se procura, e encontrar para aquilo que, sem intenção nenhuma, se apresenta à pessoa. Veja: Achei finalmente o que procurava. Maria encontrou uma corda debaixo da cama. Jorge achou o gato dele que fugira na semana passada.96 - Adentro é uma palavra só: meteu-se porta adentro. A lua sumiu noite adentro.97 - Não existe adiar para depois. Isso é redundante, porque adiar só pode ser para depois.98 - Afim (juntinho) tem relação com afinidade: gostos afins, palavras afins. A fim de (separado) equivale a para: veio logo a fim de (para) me ver bem vestido.99 - Pode parecer meio estranho, mas pode conjugar o verbo aguar normalmente: eu águo, tu águas, ele água, nós aguamos, vós aguais, eles águam.100 - Centigrama é uma palavra masculina: dois centigramas (releia o item 55). * Ademais de salvar em "Favoritos", vale imprimir para consulta imediata.

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Não é o dinheiro, estúpido


Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência

SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC

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