6 de jun de 2011

A MÍDIA E O IDOSO



Tudo que se relaciona a idoso é sempre levado para o lado da gozação, pejorativo.

Essa falta de crédito em relação ao idoso faz parte de nossa cultura onde tudo de bom é para o jovem e o de ruim é só para o velho. Quando algum idoso sai do “padrão”, todos levam o caso com uma mistura de repulsa e fascinação geralmente reservadas só para o bizarro e o extraordinário.

Produtos sociais, como por exemplo: a literatura, a TV, as produções de humor e os cartões de aniversário devem ser considerados como reflexos determinantes de atitudes em relação ao velho, à velhice e ao envelhecimento.

A velhice é socialmente construída. A divisão de idoso varia de sociedade para sociedade. Como diz Simone de Beauvoir: “ o que define o sentido e o valor da velhice é o sentido atribuído pelos homens á existência, é o seu sistema global de valores. Se quisermos desvendar este segredo, muitas vezes cuidadosamente oculto, devemos atentar para o modo como esta sociedade trata seus velhos”.

Se o número de idosos tende a aumentar, e se os idosos podem continuar seu desenvolvimento, espera-se maior pressão e maior reivindicação sobre a qualidade de sua auto-expressão e do seu desenvolvimento. Devemos lembrar que a participação do idoso nas mudanças é muito importante.

É importante deixar bem claro que não basta que cada vez mais se formem técnicos, especialistas, políticos pessoas interessadas em trabalhar JUNTO com o idoso se o PRÓPRIO IDOSO não participar, não atuar pois ÊLE é o protagonista da história e somente através de sua participação e seu envolvimento e contribuição, que essa mudança ocorrerá.

Seria importante que as estórias em quadrinhos mostrassem idosos mais constantemente, mostrando a importância do idoso.

Luiz Celso Piratininga, disse num debate realizado na Faculdade Costa Braga, que quem não respeita o idoso não é a publicidade, é a sociedade que não respeita ninguém, só o capital. Só o idoso, os grupos de estudos, os especialistas que poderão mudar essa imagem. Todos devem lutar contra a disseminação da imagem inadequada do idoso na sociedade. O idoso é consumidor e como tal deve ser respeitado, independente de terem esses consumidores uma renda média, individual menor do que outras faixas ou segmentos de mercado. Muitas vezes é a própria família que não vê o idoso (a imagem), não é a mídia. De um modo geral não se tem conhecimento sobre dados estatísticos de envelhecimento pelo pessoal da mídia, talvez o não reconhecimento com o idoso venha daí. Ainda se tem a idéia que produto para idoso não dá dinheiro. Tanto a educação quanto os meios de comunicação exercem papéis fundamentais e influentes na formação do indivíduo. A publicidade pode ser a arma mais poderosa que os idosos deveriam utilizar a favor próprio.

Mas também precisamos ver as coisas com outros olhos.

Estamos tão acostumados a sentarmos a assistirmos TV, que muitas vezes falamos mal da programação e nem percebemos quando algo bom é transmitido. Não paramos para uma reflexão. Aliás acho que na maioria das vezes, apenas “vemos” TV e não assistimos. 

Mas no ano de 1996 e no início de 1997, uma certa rede de TV passou uma novela, que milhões de pessoas assistiram como mais uma novela qualquer. 

Eu também assisti a alguns capítulos e fui observando não a história, o enredo, mas como o autor e os diretores e os próprios atores apresentaram seus personagens. 

Talvez para muitos tenha sido banal esse meu comportamento. 

Porém, em minhas observações, depois de muito tempo vi algo que não aparecia tão positivamente em programas de TV. A valorização do idoso. Você observou isso? 

A novela foi O Rei do Gado, o autor Benedito Ruy Barbosa, o ator Raul Cortez e o personagem, o Jeremias. 

Nessa novela, foi ao contrário e talvez quase ninguém tenha observado isso. 

Jeremias era um idoso, independente, sozinho, sensual, usava bengala, mas isso não o atrapalhava em nada, fazia planos     para o futuro, trabalhava sua sensualidade, tinha até olhar de “maroto” e amava. 

Quer coisa mais bonita do que alguém mostrar um idoso como pessoa “normal” e “sadia” (horrível falar assim, né?) já que o envelhecimento é próprio da pessoa e não algo ruim ou horrível? 

Após assistir ao último capítulo, sentei e comecei a escrever para o autor sobre o belo trabalho que realizou e principalmente porque colocou o idoso em alto, valorizando-se, atuante e não uma pessoa infantilizada, boba ou qualquer outra imagem pejorativa. 

Escrevi para o autor e o ator cumprimentando-os pela valorização que fizeram do idoso. 

Não importa se era ou não esse o objetivo deles, mas talvez até sem perceberem, isso foi passado para as pessoas, ou talvez apenas eu pude observar estes detalhes, pois tudo que fale a respeito do idoso, me chama atenção. Quem sabe já virou mania de Gerontóloga. Não importa, ma se já colocaram-nos com outro comportamento é sinal que, mesmo inconsciente, já mudaram a imagem que tinham.
 

Maria Cristina Costa Braga Hortelli Fogaça 

Diretora da Faculdade Aberta para a Maturidade Ativa

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Não é o dinheiro, estúpido


Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência

SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC

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