1 de out de 2011

Malhação Terapêutica


Portadores de doenças crônicas e degenerativas podem ter benefícios com atividades físicas bem orientadas

  • Alzheimer, Parkinson, reumatismo, esclerose múltipla, artrose e artrite deformante. Difíceis de serem diagnosticadas e tratadas, as doenças degenerativas fazem parte da vida de milhões de brasileiros. Como o próprio nome diz, as que se encaixam nessa categoria caracterizam-se por corromper o organismo, ou partes dele, de forma gradual e irreversível. Além de medicamentos específicos para cada tipo de doença, os pacientes que procuram nos exercícios físicos uma forma de amenizar os sintomas devem tomar cuidado para que não acabem agravando o problema.

    O professor de neurofisiologia da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Nogueira Aucélio explica que o benefício dos exercícios físicos depende do tipo de patologia.

    – Nas doenças em que o prejuízo é cortical, como Parkinson ou Alzheimer, os exercícios auxiliam na oxigenação do cérebro – diz.

    Para os males que precisam de fisioterapia, o médico explica que atividades como hidroginástica e natação são as mais indicadas, por não terem tanto impacto quanto exercícios em terra. Já para as doenças em que o paciente apresenta comprometimento muscular, o médico alerta: fazer exercícios pode não ser uma boa ideia, pois as articulações já estão prejudicadas.

    – Para essas pessoas, o esforço físico pode trazer prejuízos, como acelerar o processo degenerativo – explica.

    Segundo o professor, atividades dentro d’água só são proibidas aos pacientes que têm convulsões, já que uma crise inesperada dentro da piscina pode ser fatal.

    Há dois anos trabalhando com pessoas com doenças degenerativas, a fisioterapeuta Lílian Almeida de Farias acredita que o principal benefício das atividades físicas é o fortalecimento muscular e a melhora na amplitude dos movimentos, pois muitos pacientes reclamam que ações comuns – como trocar de roupa ou arrumar o cabelo – tornam-se impossíveis, devido ao enrijecimento muscular.

    – O tratamento não cura a doença, mas faz sua evolução diminuir bastante – pondera Lílian.

    A fisioterapeuta conta que, para os casos em que a doença já se encontra em um estado muito avançado, o tratamento servirá para garantir uma melhor integridade física e qualidade de vida aos pacientes.

    – Tenho pacientes que não conseguem mais se levantar, andar, trocar de roupa. Não fazem mais nada sozinhos. Para eles, a fisioterapia vai ajudar a não desenvolver escaras (feridas) na pele e a evitar que a doença progrida ainda mais – explica.

    Com apenas um ano de idade, Francisca Martins foi diagnosticada com artrite reumatoide juvenil, uma doença em que uma ou mais articulações do corpo apresentam artrite crônica.

    – Sinto dores, inchaço nas articulações e dificuldade de movimento. Com o tempo, a cartilagem se desgasta, o que causa muita rigidez e dores insuportáveis.

    Na fisioterapia, a professora de língua portuguesa encontrou alívio para as dores.

    – Tratar a doença só com medicamentos não tem o mesmo resultado. Quanto mais você fica parado, mais a doença te pega – ensina.

    O tratamento é feito sempre com exercícios sem carga para evitar prejuízo ainda maior às já frágeis e debilitadas articulações. Se Francisca perde um dia de atividades, o corpo reclama na hora: as dores aumentam, o corpo fica pesado e as articulações, rígidas como pedra. Mas nem precisa ameaçar, pois os resultados compensam qualquer esforço.

    – Sinto um bem-estar tão grande como uma pessoa que não tem problema de saúde e, quando malha, sente aquela leveza boa – diz Francisca.
Os Benefícios
Além de contribuir para melhorar a qualidade de vida e ajudar a controlar os sintomas, veja os benefícios dos exercícios físicos para algumas doenças degenerativas:
> Pacientes com diabetes conseguem uma melhor condição de tolerância à glicose, além de diminuírem os riscos de terem cardiopatias associadas à doença
> Para as pessoas com Parkinson, a fisioterapia auxilia na execução de movimentos do dia a dia, com exercícios de alongamento e fortalecimento dos músculos
> O paciente com Alzheimer tem os efeitos da doença atenuados. Um programa fixo de exercícios pode retardar a evolução da doença, além de diminuir os riscos de hospitalização
> Desde que em nível moderado, para que o paciente não se canse muito, os exercícios em meio aquático são os mais recomendados para pessoas com esclerose múltipla, pois aumentam a resistência muscular e a física.

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Não é o dinheiro, estúpido


Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência

SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC

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