1 de out de 2011

Ginástica divertida


Bioginástica desenvolve o equilíbrio, a força e a flexibilidade, além de proporcionar grande perda calórica

Imitar o pulo do sapo, o andar da aranha, os gritos do macaco, o balançar do vento. Na bioginástica, o que parece brincadeira infantil se transforma em aprendizagem. A modalidade tem base em diversas técnicas que visam o autoconhecimento por meio da atividade física, como ioga e tai chi. 

Mas é a influência do kempô, método oriental que reproduz os movimentos dos animais, a mais evidente. O resultado é o desenvolvimento do equilíbrio, da força e da flexibilidade combinados à alta perda calórica.

– É uma aula psicomotora, que permite desenvolver coordenação e consciência corporal – define o professor de educação física Marco Rodrigo Vieira.

Esses objetivos são atingidos por meio da valorização de movimentos inusitados, que exigem esforço de músculos pouco usados no dia a dia. O fato de trabalhar diversas regiões do corpo também é uma vantagem da aula, que foca o fortalecimento dos grupos musculares responsáveis pela sustentação do corpo, como abdômen e costas. 

Outra vantagem da bioginástica é o desenvolvimento de técnicas de respiração, que, aliadas a práticas de concentração, ajudam a diminuir o estresse. A melhora da postura do praticante ocorre ao longo das aulas, que contam com características lúdicas para aumentar a disposição dos alunos. 

– Além de gastar calorias, é divertida, não vejo o tempo passar – conta a servidora pública Ângela Araújo, 40 anos, que foi atraída há poucos meses pela proposta inovadora da modalidade e se surpreendeu com a sensação de liberdade que sente.

A diversão fica por conta da estrutura da aula, que proporciona contato com o chão, movimentos diferentes e desafiadores. Com duração que pode variar entre 30 e 50 minutos, cada sessão é dividida entre uma primeira parte de alongamento e aquecimento, seguida de séries de movimentos que mudam de acordo com o nível de dificuldade. Ao final, são propostas atividades de interação, em que os participantes do grupo fazem exercícios em círculo, de mãos dadas. 

– Nenhuma aula é igual a outra. A intenção é fazer cada encontro se tornar prazeroso, sem deixar de ser esportivo, com bom resultado físico – explica o professor de bioginástica Fábio Rodrigues Pereira.

A bioginástica é indicada para pessoas de qualquer idade e condição física. A única contraindicação é para quem tem problemas de articulação, principalmente nos joelhos e ombros. Atrás de benefícios como maior expressão corporal e coordenação motora, muitos profissionais que dependem da boa forma aderiram à modalidade.

– Os jogadores da seleção de Bernardinho e bailarinos da companhia Débora Colker, por exemplo, recorreram à aula para melhorar suas performances – conta o professor de bioginástica Leonardo Caetano.
Fonte- Jornal Zero Hora- Caderno Vida

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Não é o dinheiro, estúpido


Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência

SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC

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