25 de jul de 2011

O Bairro da Mooca em São Paulo, quer tornar-se bairro " Amigo do Idoso "

Projeto de subprefeitura prevê intervenções de calçadas a mobiliário urbano; primeira conferência regional listou as principais dificuldades
Cristiane Bomfim - O Estado de S.Paulo
Aposentado desde 1998, Tino das Neves, de 78 anos, gosta de viajar, mas passa a maior parte do tempo jogando conversa fora com outros idosos no Centro Educacional da Mooca, na zona leste. Costuma chegar cedo para fazer uma caminhada. "Depois, não há muito o que fazer", diz. O bairro onde nasceu e morou a vida inteira está envelhecendo e, mesmo assim, oferece poucas possibilidades de lazer para seus 14.528 moradores com mais de 60 anos.

Essa é uma das muitas reclamações de idosos que a Subprefeitura da Mooca terá de resolver se quiser pôr em prática o projeto Bairro Amigo do Idoso, anunciado semana passada. Com o projeto, a subprefeitura pretende atender às necessidades dos idosos que moram em Mooca, Tatuapé, Brás, Belém, Pari e Água Rasa. Juntos, esses bairros têm 61.352 moradores com mais de 60 anos, segundo o Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - 17,84% do total da população desses distritos.
Na sexta-feira, na primeira Conferência Regional para a Implementação do Bairro Amigo do Idoso, 18 representantes da sociedade civil - todos idosos - listaram os problemas que precisam ser resolvidos para que a iniciativa vire prática.

Além de falta de áreas destinadas e equipadas para a prática de esportes e lazer, eles se queixam das calçadas esburacadas ou com degraus, da iluminação pública, da falta de segurança e ausência de profissionais capacitados para atender idosos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) desses bairros. "Não acho que estamos pedindo muito. Resolver esses problemas é o mínimo que pode ser feito para que o idoso tenha uma vida digna", afirma Shirley Aparecida Mazzei Nubie, de 75 anos.

Shirley é uma das coordenadoras do grupo de terceira idade da Biblioteca Affonso Taunay, que fica dentro do Centro Educacional da Mooca. O local é uma espécie de parque com piscina, quadras e onde funcionam uma UBS e a Subprefeitura da Mooca. "A subprefeitura está aqui dentro e não cuida. Se não tem sinalização de onde ficam os prédios, imagina se vão ter atividades para os idosos", diz Tino Neves, sentado em um dos bancos da parque.

Cuidados. Para a professora da universidade aberta à maturidade da Universidade São Judas, Maria Esmeralda Mineu Zamlutti, a qualidade de vida do idoso depende de fatores que vão da condição econômica a saúde e lazer. "O idoso tem de ser respeitado e compreendido. A expectativa de vida subiu e as pessoas com mais de 60 anos estão saudáveis e ativas. Outras necessitam de cuidados especiais, um direito garantido no Estatuto do Idoso", diz.

Segundo a Subprefeitura da Mooca, o projeto contará com intervenções em sete frentes: calçadas, mobiliário urbano, acessibilidade, cidade limpa e vitrine, bueiros, tapa-buraco, cortiços e defesa civil.

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Não é o dinheiro, estúpido


Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência

SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC

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