6 de out. de 2011

Maconha? Se liga! Sou d’maior!!

Maconha? Se liga! Sou d’maior!!

André Pessoa
OLHE-SE NO ESPELHO
Talvez você não tenha reparado, possivelmente seus familiares sim, que você tem tido mais dificuldade de acordar para os seus compromissos. Sua capacidade de concentração está menor e a memória mais curta. Sente mais fome e sede. Perdeu a gana pelo que antes lhe interessava. Parece que a preguiça tomou conta de você. Tudo custa mais, até pensar. Será que a maconha intoxica e queima neurônios?
Faça com sinceridade uma retrospectiva das consequências desta lerdeza. Já foi reprovado em alguma matéria? O CR está cada vez mais baixo? Você passou a se considerar menos capaz que os outros? Ou será que a maconha está lhe detonando?
Você tem sensações de desconfiança, de estar sendo observado, provocado, gozado, comentado, vigiado pelos outros? De que os mais diversos fatos não são coincidências, mas sim, que eles têm alguma coisa a ver consigo? Serão os sintomas de psicose que a maconha provoca? Outras vezes seu coração dispara, parece que vai sair pela boca. Sente um medo profundo. Seria a síndrome de pânico que a maconha pode desencadear?
Você reconhece alguns destes sintomas, mas não se considera viciado, pois esta palavra lhe parece exagerada para quem cria “pequenas dependências” como cigarro, café e chocolate. Você acha que os sintomas do uso da maconha são inofensivos?
Os hábitos são coisas que se cultivam, para o bem ou para o mal. Há aqueles que impulsionam a pessoa para cima, que libertam e a tornam um ser humano pleno. Há outros que até parecem divertidos, mas fazem tropeçar e cair. Seja uma ou outra, a falta daquele hábito causa desconforto.
A maconha não é um hábito bom. Quando falta, provoca insônia, náusea, dores nos músculos inexplicáveis, ansiedade, inquietação, irritação por qualquer motivo, frio e suor juntos, a luz incomoda, tem diarréia, falta apetite, começa a perder peso, tem tremores musculares discretos, um peso no peito que antecede a depressão e uma vontade intensa de usar a droga.
Você seria capaz de fazer qualquer coisa para dar uma tragada? Ainda não chegou a este estágio? Você pode achar que a maconha é inofensiva, mas não é o que pensa o seu fornecedor. Paciente, está esperando que a dependência aos poucos se instale. Antes era quase de graça? Irão depois subir o preço, oferecer outras drogas a preço de banana e começar a impor sua participação no que antes lhe parecia absurdo.
Olhe-se no espelho. Você se reconhece? É isso que você quer para si? Veja o transtorno que lhe causa a falta da droga. Descontrole geral. O uso de droga, se antes lhe trazia alguma curtição, se transforma, sem que você note, num tormento contínuo. Você passa a procurá-la apenas para reduzir o desconforto e debelar a crise, que logo volta mais forte e a dose tem que ser maior.
Você teve a curiosidade de experimentar maconha, mas resistiu? Parabéns pela sua força de vontade. A curiosidade é a mãe dos vícios.
SE VOCÊ JÁ EXPERIMENTOU, SABE ONDE ESTÁ SE METENDO?
Há vários problemas que tornam a maconha nociva. Vamos por exemplo comparar com o cigarro.
Você sabe se tem predisposição a ter doenças no coração? A maconha e o cigarro lhe ajudarão a descobrir. Sua família tem casos de pessoas depressivas e esquizofrênicas? Neste caso a maconha lhe ajudará a descobrir.
E ao câncer? Uma das principais portas de entradas é a irritação crônica. Uma ferida, por exemplo, que se abre muitas vezes no mesmo lugar. O cigarro e a maconha provocam irritação nos pulmões, boca, esôfago e estômago. A maconha potencializa, pois o usuário retém a fumaça por mais tempo nos pulmões. A maconha, por não ser industrialmente tratada, e não ter filtro, contém 50% mais de produtos cancerígenos que o cigarro.
Você que não fuma cigarro? Não seja hipócrita consigo mesmo. Se você tem a consciência de não se viciar em cigarro, porque você brinca com a maconha? Se liga!!
O ambiente que você frequenta não lhe parece pernicioso? Você não percebe que está num tanque, repleto de pessoas que se dizem espertas mas que não conseguem sair? Se você estiver ao lado de alguém que está se afogando, ele vai se agarrar em você com uma força desesperada e os dois irão para o fundo. Você começa a achar normal ver pessoas que tomam coca, ecstasy etc... Eles juram de pé junto que todo mundo faz não é mesmo? Não. Não é verdade. Somente 4% dos estudantes e 26% dos universitários já experimentaram maconha. Você acha que não está num grupo de marginalizados? São ricos da alta sociedade? Têm glamour? Não se iluda! Um bom amigo não pode lhe estar convidando a embarcar nesta. Saia deste tanque de perdedores e não entre mais.
Ah! Você tem a sensação de que você é mais forte que seus amigos? Que você tem o corpo mais resistente, e uma vontade de ferro?
Desculpe. Fico triste e contente por você.
Fico triste se o seu orgulho continuar a ser mais forte que você. Nesta busca do seu limite, você não vai achá-lo, mas sim transpô-lo... Sem notar.
Fico contente, pois sinto que ainda existe autoestima em você. Mas aproveite enquanto ela existe, para você sair desta trajetória. Aqueles que estão no mundo das drogas cedo ou tarde concluem: todo usuário é otário. Não tem meio termo.
Você não experimentou ainda maconha? Você é feliz e não sabe. Quem experimentou não sabe onde está se metendo.
VOCÊ PASSA A SER ILEGAL
A partir do momento que você se torna um consumidor de produtos ilegais, você perdeu respeito geral. Os traficantes sabem que podem lançar mão de você como de uma marionete. E depois, vacilou-dançou. Chove chumbo.
As autoridades perderam respeito por você. Porque você faz parte de uma engrenagem do mal. O dinheiro que sai do seu bolso está financiando um mundo de desespero, assassinatos, corrupção e suicídios. Você é co-responsável!!! Se liga!!! Você sabe onde está se metendo? Você está certo de que quer fazer parte disto?
Hah!! Você me diz que não financia os traficantes porque planta a maconha que você e seus amigos consomem? Cedo ou tarde alguém vai lhes denunciar. Quem? A concorrência, uma ex-namorada, um colega invejoso, um terceiro que você nem conhece direito. E a policia pode colocar as mãos em vocês. Seu advogado vai alegar que é para consumo próprio? Alguns meses na prisão até o julgamento, que pode impor-lhe meses de detenção. Se a sua estória colar, a sua pena pode ser abrandada para algum tempo de trabalho em comunidades. Você se acha esperto?
Você esquece que de uma forma ou de outra você suja sua ficha na polícia. Algumas empresas, antes de contratar, checam o passado do candidato. É como tirar uma certidão negativa. Sabe quem vai querer depois lhe dar um emprego?
Mesmo que nunca dê entrada na polícia, você perdeu o respeito de seus conhecidos e colegas limpos. Eles podem não distinguir o drogado do traficante. Nas próximas décadas, eles poderão ter algum conceito concebido a partir de seu passado. Você está criando uma rede de relacionamentos desfavorável. Na Internet, partindo de qualquer pessoa da sociedade ativa, bastam quatro links para chegar a você. O mundo é muito pequeno!!
Os únicos que insistem que você permaneça neste tanque são os que estão lá dentro. Todos que lhe amam sugerem que você saia de lá. Parabéns se você ainda não experimentou.
A LUTA
Novamente você passa uma manhã vomitando sem parar. Não acontece sempre? O que você misturou desta vez? Maconha, Álcool, Red Bull? Algo mais?
Para educá-lo, sua família passou a vida lutando contra o ambiente num cabo de guerra incansável. O problema é que agora você mudou de lado, e puxa o cabo contra seus pais, contra o bom senso e contra si mesmo.
As lágrimas de quem lhe ama de verdade se misturam à água que verte da fenda e empapa o chão. Seus rostos se voltam para a furiosa tempestade que se aproxima e clamam forças para esta luta.
Se você não experimentou, você é ouro. Mas “Lembrai” de pedir com força pelos que caíram.
Se você já experimentou, nem que uma única vez, não seja autossuficiente e procure ajuda, a começar pelos seus familiares. Quem sabe eles lhe ajudarão a abrir os olhos para o segredo da vida. “Como é bom viver uma vida limpa”.
VIVA a VIDA
A saúde é incomparavelmente o maior dom que temos. Alguns se dão conta disto somente quando a perdem. A busca de sensações que minam a saúde é uma incoerência. Por um instante você pode se iludir de que há sentido no contrassenso, e você morde a isca.
As sequelas são implacáveis. Como o quase cego que perde os últimos resquícios de sua visão a brincar de olhar para o sol, balançando a cabeça e dedilhando o ar na frente de seus olhos semi abertos... num horroroso espetáculo de luz.
É mais inteligente aquele que sabe preservar a saúde e encontrar alegria no dia a dia. Que se satisfaz ao apreciar a simplicidade, como o respirar da brisa que bate ao rosto, ou o beber de um gole de água numa tarde de sol.

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Não é o dinheiro, estúpido


Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência

SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC

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