4 de ago de 2011

Para onde vai seu computador velho?

O Brasil já é um dos maiores mercados de computadores do mundo - e logo vai ser um grande produtor de lixo eletrônico. Estamos prontos para cuidar de todo esse e-entulho?



{txtalt}
Dizem que um carro zero-quilômetro perde valor assim que deixa a concessionária. Do computador, pode-se afirmar que, quando ele deixa a linha de montagem, provavelmente já está desatualizado. A diferença é que um carro tem valor de revenda, ainda que mais baixo. Já um PC antigo vale muito pouco. Tão pouco que muita gente nem tenta vendê-lo: joga direto no lixo. Esse fenômeno é comum nos países desenvolvidos, mas se engana quem acha que brasileiro não joga computador na lixeira. Em fevereiro, a Organização das Nações Unidas apontou o Brasil como o país emergente que mais gera lixo eletrônico per capita a partir de PCs. Os dados foram estimados, mas é fácil entender a equação. Em 2010, devem ser vendidos 13,5 milhões de computadores.

Numa conta otimista, considerando-se um uso médio de cinco a oito anos para essas máquinas, pode-se esperar uma enorme quantidade de lixo eletrônico em 2015. Mas nem é preciso olhar para o futuro para entender o problema. Quatro anos atrás, 19% dos domicílios urbanos tinham um computador de mesa. Em 2008, já eram 27%. O número de computadores vendidos a cada ano subiu de 8,2 milhões para 11,7 milhões nesse período, de acordo com a consultoria ITData. O Brasil é um dos maiores mercados de computadores do mundo. Logo vai ser também um dos líderes na produção de lixo eletrônico, um problema ambiental que já é grave atualmente e tende a piorar com a digitalização dos países emergentes.
{txtalt}
No mundo, 40 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos são geradas todo ano, mas apenas cerca de 10% são reciclados de forma apropriada. No Brasil, não existem dados confiáveis sobre a reciclagem desse lixo, mas experiências mostram que a situação é parecida. A operadora Vivo oferece um serviço de reciclagem de celulares em 3 400 pontos de coleta em lojas próprias e revendas. Do total de aparelhos trocados, porém, somente 5% são coletados. "Parte do que não é coletado deve estar guardada ou foi repassada a alguém", afirma Juliana Limonta, consultora de responsabilidade socioambiental da Vivo. Um estudo está sendo feito pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre, uma associação de empresas) e pelo Ministério do Meio Ambiente, com entidades do setor eletroeletrônico, para descobrir o destino dos equipamentos velhos. "Alguns resíduos são jogados em lixo comum", diz André Vilhena, diretor executivo do Cempre. "Acabam em lixões ou são retirados por catadores." O grande problema desse cenário é que o manuseio errado dos equipamentos pode contaminar o solo e a água, conforme as peças se oxidam.

LEGISLAÇÃO
Leis para tratar o lixo eletrônico no Brasil começaram a ser criadas há apenas três anos. Em agosto, após quase 20 anos de discussão, foi sancionada a lei federal que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, definindo o descarte de diversos tipos de lixo, entre eles o eletrônico. A lei tem dois aspectos importantes. Um é a obrigação de criar sistemas de logística reversa, ou seja, um sistema que permita a volta dos equipamentos ao setor industrial para ser reaproveitados. O outro é a definição de que a responsabilidade pelo descarte correto é compartilhada entre fabricantes, distribuidores, importadores e consumidores. A lei ainda depende de regulamentação, mas algumas empresas se adiantaram. Desde 2006, a Dell oferece um sistema de coleta de eletrônicos e acessórios aos clientes brasileiros (não corporativos), agendada pela internet.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não é o dinheiro, estúpido


Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência

SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC

Cursos e Palestras ( RECICLAGEM )

Cursos e Palestras ( RECICLAGEM )
Informações e reservas