8 de mai de 2011

Namoro na Melhor Idade

Quem pensa que namorar é exclusividade dos jovens está completamente enganado. Antigamente fadados à solidão após a morte ou separação do cônjuge, homens e mulheres na terceira idade, hoje, buscam novos encontros e possibilidades de uma vida mais feliz após anos de dedicação ao trabalho e à família. Considerando-se o aumento da expec-tativa de vida, a ampliação da saúde física e os aspectos essenciais para um envelhecer mais saudável, é necessário o conheci-mento sobre as modificações que ocorrem no organismo, buscando adaptar-se a essa nova realidade.
O processo de envelhecer é resultado de várias modi-ficações ocorridas no organismo de forma definitiva, estável, lenta e gradativa. Nesse contexto, valorizar os sentimentos dos idosos frente ao namoro lhes proporcionará mais qualidade de vida enquanto se avança nos estudos sobre o namoro entre as pessoas idosas.
A pessoa que sabe envelhecer bem aprende a compreender os próprios recursos. Não se pode eliminar a velhice, mas se pode mudar a maneira de enve-lhecer. Com o passar dos anos, as pessoas tendem a querer ficar juntas como forma de proteção, pois percebem que ficar sozi-nhas gera tristeza e que demonstrações de carinho não são uma “fraqueza”. A idade avançada também mostra que a necessida-de de receber ajuda do companheiro não é apenas indispensável, como também é agradável.
Para que as mudanças psicofísicas ocorridas com o passar dos anos acon-teçam de forma positiva, é preciso que o casal idoso estabeleça estratégias de enfrentamento, nas quais a serenidade e o amor sejam partilhados. Ao procurar novos relacionamentos, seja de amizade ou namoro, é importante lembrar que “aquilo que procuramos nos outros são as mesmas qualidades que eles próprios desejam encontrar em nós” e que, tanto os homens como as mulheres, podem se sentir inseguros e ansiosos.
Em qualquer idade a pessoa precisa de amor, atenção e companhia. Entendeu-se que o namoro na fase do crepúsculo da vida é fonte de felicidade e prazer, pois, como bem diz Rubens Alves: “É preciso muito pouco. A alegria está muito próxima. Mora no momento. Velhice é quando se percebe que não existe no futuro nenhum evento portentoso por que esperar, como início da felicidade”.
Mas não é só a felicidade que é constatada quando se namora. A melhora no estado de saúde também acontece. Se um olhar bondoso e solidário ou um pequeno sorriso alegram um doente e aju-dam muito a apressar a sua recuperação e a cura, o que dizer da sensação de felicidade? Aquele que se sente feliz é saudá-vel, assim como as manifestações de afeto, carinho e atenção podem funcionar como terapia para muitos males, proporcio-nando até mesmo a cura de uma doença.
Namorar é cuidar do companheiro
O namoro, para os ido-sos, revela-se como um tempo de cuidado, zelo e dedicação. Visto assim, cuidar do companheiro e manter uma atitude zelosa faz parte do relacionamento afetivo, é algo prazero-so para o idoso, é o seu jeito de namorar. A afetividade manifesta-se por pequenos gestos.
Entre a censura e o apoio: o olhar da família sobre o namoro dois mais velhos
Se o namoro dos mais velhos, por um lado, mexe com a dinâmica familiar quando a questão é censura; por outro, nas situações de apoio, consolida a harmonia.
Algumas atitudes adotadas estrategicamente pelos idosos ao iniciarem um relacionamento afetivo funcionam como medida facilitadora da entrada dessa nova pessoa no seio da família. “Quando come-cei a namorar, pedi autorização para mi-nha filha, e eles se acertam bem...”. Essa aparente inversão de papéis no que se refere ao consentimento do namoro trata-se de uma forma estratégica de iniciar um relacionamento em harmonia com a família, pois esta é sempre zelosa ao se abrir e receber novos membros. Por outro lado, uma das muitas queixas dos idosos em relação ao namoro são as ten-tativas dos filhos de impedirem, de forma direta ou indireta, que os pais se apaixo-nem e mantenham um relacionamento com outra pessoa. Nessa questão emerge o medo, porque o filho ou a família temem a perda da imagem construída da mãe ou do pai. De igual forma, é difícil para a família perceber que o idoso, apesar do envelheci-mento fisiológico, pode se manter jovem psicologicamente, expandindo vínculos, participando de grupos de convivência e mostrando-se receptivo a novos relaciona-mentos, uma vez que amar faz parte da vida do ser humano.
É preciso substituir crenças, mitos e tabus relacionados ao envelhecimento, cujas essências são preconceituosas. Saber encarar com maturidade e tranqüilidade as mudanças que ocorrem nesse novo momento é a conquista satisfatória nessa fase da vida.
Relacionamentos íntimos malsuce-didos e experiências vividas de maneira não satisfatória podem determinar uma certa aversão ao estabelecimento de novos laços afetivos. Essa superação só é possível quando a pessoa se mostra aberta a uma nova possibilidade. Superar estereótipos e aceitar as experiências vividas ajudará o idoso a re-começar sua vida ou a preparar-se para uma nova vida.
Fonte: Marilene Rodrigues Portella

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Não é o dinheiro, estúpido


Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência

SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC

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