11 de mai de 2011

Minha inveja, meu sucesso

Pesquisador se inspira na seleção natural para entender porque atitude invejosa existe entre seres humanos


RICARDO MIOTO

Imagine que você está passeando com sua namorada ou seu namorado. Passa, então, alguém mais bonito e aparentemente mais rico do que você. Se a sua primeira reação é soltar um "ele é gay" (caso você seja um homem) ou um "ela é uma vagabunda" (caso você seja uma mulher), parabéns. O seu comportamento invejoso é o combustível do sucesso humano.

Todos as emoções humanas, dizem os psicólogos que se interessam pela seleção natural, têm uma boa razão para existir. São consequência de milhões de anos de adaptação.

O instinto mais fácil de compreender provavelmente é a vontade de fazer sexo. Quem sentia deixou muito mais descendentes, passando essa característica adiante. Os filhos, por sua vez, tiveram outro punhado de filhos que gostavam de sexo, e assim por diante.

Outros comportamentos têm explicação menos óbvia. É o caso da inveja. Como ela poderia ser um comportamento vantajoso, a ponto de estar tão presente entre humanos?

Quem explica é o psicólogo evolutivo David Buss, da Universidade do Texas, em vários trabalhos recentes.
Ninguém gosta de sentir inveja, de perceber que alguém, em algum sentido, é superior. É um sentimento desagradável, por mais que se tente disfarçar.

Indivíduos invejosos, portanto, sempre tiveram um estímulo grande para se esforçar para alcançar os invejados -e, assim, acabar com a sensação incômoda de inferioridade. No longo prazo, invejosos têm, sim, mais chance de ter sucesso -especialmente reprodutivo.

Homens e mulheres, diz Buss, sentem tipos diferentes de inveja. Isso porque tiveram que se adaptar a dificuldades diferentes na evolução.

Modos de macho e fêmea

Biologicamente, em princípio, homens podem tantos quantos conseguirem gerar. Atraem-se em geral por mulheres jovens com aparência fértil.

Já o instinto feminino investe mais em cada bebê. São pelo menos nove meses de gestação. Mulheres que se importavam com a capacidade dos seus companheiros de assegurar que isso tudo não seria desperdiçado tiveram mais sucesso reprodutivo que as outras.

Então, evolutivamente, faz sentido que as mulheres se sintam atraídas, entre outras coisas, por homens que apresentem segurança. Quando a espécie humana vivia de caça e de coleta, isso significava conseguir trazer quantidades grandes de proteína para os filhos. No mundo moderno, significa algum sucesso profissional.

Como a inveja é consequência direta da competição entre as pessoas, homens tendem a se incomodar mais com os seus colegas que ganham mais. As mulheres, com as suas amigas mais atraentes do que elas.

Isso tudo não significa, claro, que homens não sintam inveja de caras bonitos (ou mulheres de moças ricas) ou que homens não se atraiam por mulheres de sucesso (e muito menos que mulheres não gostem de homens bonitos). É só uma questão de intensidade.

A inveja tem outro componente importante. Ela frequentemente aparece associada a uma tentativa de minimizar o sucesso do invejado. A promoção recebida por alguém no trabalho não significa competência ("é um mero puxa-saco"). A vizinha não é bonita porque se cuida ("fez uma plástica").

O instinto humano é não se inferiorizar com relação aos outros -ninguém quer ser visto como a última opção, especialmente em termos sexuais. Quem não se armou contra isso, ao longo da evolução, não se reproduziu e sumiu do mapa.

Tentar rebaixar quem está por acima, então, é uma tentativa, talvez até desesperada, de não parecer menor do que eles.

As pessoas, então, geralmente não admitem que sentem inveja porque fazer isso seria uma forma de dizer aos outros "sim, estou abaixo no ranking social e sei disso".

"Gore Vidal [escritor americano] já dizia: ter sucesso não é o suficiente. Os outros precisam fracassar", escreve Buss.

Inveja de velho

Desde as diferenças entre a inveja masculina e a feminina, até o gosto por estar acima no ranking social (as pessoas preferem ganhar R$ 3.000 se todos ganharem R$ 2.000 do que ganhar R$ 5.000 se todos ganharem R$ 7.000, por exemplo), muitas hipóteses sobre a inveja foram confirmadas com voluntários em experiências realizadas na última década.

Algumas, entretanto, ainda estão em aberto. A mais instigante, levantada por Buss, relaciona-se com a impressão de que as pessoas ficam menos invejosas com a idade -a inveja seria mais comum na juventude. A explicação, diz ele, talvez não seja o amadurecimento.

Pode ser que, depois do pico reprodutivo, a idade faça com que ser a última opção em termos sexuais já não faça tanta diferença. Os outros são mais bonitos? Que sejam. Tanto faz. Os pesquisadores querem respaldar, em breve, essas ideias em experimentos.

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Não é o dinheiro, estúpido


Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência

SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC

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