11 de mai de 2011

Disciplina

A diferença entre sonhar

e realizar está na ação que empregamos
em direção ao nosso sonho

QUAL A DIFERENÇA entre um atleta excepcional e um medíocre? Entre um chef de cozinha premiado e um simples cozinheiro? Entre um artista admirado e um ator anônimo?
Entre um sedentário obeso e uma barriga enxuta e bem definida? Entre uma família próspera e outra com problemas financeiros?
Nada de sorte, genética ou dom. O que diferencia as conquistas dos fracassos é a dedicação, que pode ser traduzida em disciplina para estabelecer metas e persegui-las.
A diferença entre sonhar e realizar está na ação que empregamos em direção ao sonho. Já dizia Peter Drucker que a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.
Enquanto alguns sonham com uma promoção, outros dedicam horas a cursos de especialização para agregar valor a seu currículo.
Enquanto alguns sonham em viajar para o exterior, outros agendam suas férias e mergulham nas pesquisas de promoções e parcelamentos de agências de viagem.
Planejar é muito mais do que organizar e fazer contas. Envolve questionar detalhes, ver e rever suas escolhas várias vezes, estudar alternativas, debater dúvidas e soluções, enfim, focar em seus objetivos e ajustar regularmente suas ações, com base em novos conhecimentos.
Esse pacote de ações pode ser traduzido como disciplina. Com ela, ficam mais curtos os caminhos para alcançarmos todos os nossos objetivos pessoais, sejam eles profissionais e financeiros ou não.
O fato é que cultivar a disciplina em nossa rotina pessoal e familiar pode trazer grandes ganhos. Pais disciplinados com a hora das refeições e do banho criam filhos disciplinados em todas as áreas, da alimentação às finanças pessoais.
Esses jovens serão bem menos propensos ao descontrole financeiro e serão mais capazes de planejar a superação de dificuldades.
Por outro lado, filhos de pais indisciplinados terão maior dificuldade em se planejar, ou aprenderão com o antiexemplo dos pais, sob algum grau de sofrimento que pode ser evitado.
Não se deve confundir, porém, o fomento da disciplina com a anulação da individualidade e da personalidade. Existem pessoas mais predispostas à disciplina do que outras.
Enquanto o "mão santa" Oscar treinava arremessos durante horas após o final dos treinos, o tetracampeão Romário insistia em fugir dos treinos para brincar de bola com amigos. Sua disciplina em ser indisciplinado criou uma posição única em campo, competente apesar da pouca técnica.
Porém, é inegável que um aluno estudioso terá mais facilidade em perscrutar detalhadamente contratos de financiamento na vida adulta, expondo-se menos ao erro, do que aquele que nunca conseguiu se debruçar com dedicação sobre textos simples.
Isso não quer dizer que pessoas indisciplinadas estejam fadadas ao fracasso ou à pobreza.
Com um punhado de criatividade e boas escolhas, é possível terceirizar nossa disciplina.
Para aqueles que não conseguem se lembrar de pagar as contas ou de investir o valor mensal para a futura faculdade do filho, existem conveniências como o débito automático ou a aplicação programada em fundos de investimento.
Se você não se dá bem com contas e pensa que planejar o futuro é um bicho de sete cabeças, uma única conversa sobre planos de previdência com um corretor de seguros experiente pode resolver definitivamente seu problema.
Outra solução para quem não consegue concretizar planos devido a sua indisciplina é contar com a disciplina dos outros.
Está difícil acordar cedo para frequentar a academia? Que tal convidar um amigo para irem juntos?
Uma solução interessante para quem quer investir em ações, mas não consegue acompanhar os fatos do mercado, é criar um clube de investimento com amigos e discutir as estratégias em animadas mesas regadas a cerveja.
O que não pode servir de desculpa é sua propensão natural à indisciplina. Um dia você perceberá que essa desculpa lhe custará caro.


GUSTAVO CERBASI é autor de "Casais Inteligentes Enriquecem Juntos" (ed. Gente) e "Mais Tempo, Mais Dinheiro" (Thomas Nelson Brasil)

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Não é o dinheiro, estúpido


Não paute sua vida pelo dinheiro: seja fascinado pelo realizar e o dinheiro virá como consequência

SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC

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